sábado, 18 de outubro de 2014

queria

queria que parasse de fazer tanto calor, queria que você me ligasse tonto para que eu soubesse que mesmo relutante você ainda pensa em mim, queria ter algumas amizades pertinho de mim, queria que essa fase cheia de pressões acabasse logo, queria nunca ter assistido friends pra começar agora e ser a melhor série do ano, queria ter coragem e dinheiro pra cortar meu cabelo num tamanho médio, queria não criar tantas expectativas em cima de tudo, queria ficar bêbada sem morrer de ressaca no dia seguinte, queria ter a certeza de que todas as minhas decisões e tudo o que eu estou abrindo mão agora vão, de um jeito ou de outro, me fazer muito feliz no futuro.
0 comentários Postado por Paula Lopes
sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Continua Girando

Olha, eu não queria falar nada, mas ainda há vida lá fora. E ainda que também haja colo, sempre que precisar, é preciso de si próprio para sacudir a poeira de vez em quando. Ferida de amor dói, ô se dói, algumas marcam pra sempre, algumas nunca passam, algumas doem mais que qualquer outra dor, mas ó: ó a vida passando, entre uma lágrima e outra, entre a indecisão de ficar aqui, seguro, ao lado dos próprios cacos, e ir. Sabe? Ir. Sabe-se lá Deus para aonde.

Superar amor envelhecido, remoído e maltratado é sempre uma tarefa mais nossa do que do mundo. Porque as horas ainda passam, ainda há dias de sol e de chuva (talvez nem tanto em São Paulo, mas há), ainda há nuvens pretas, e frio, e calor, e a primavera chegando. O mundo tá ali, fazendo a parte dele, cumprindo a tabela, esperando só a hora de você levantar e decidir fazer alguma coisa da vida. O despertador toca toda manhã numa pergunta sem fim: e aí, é agora que você vai cansar de ser infeliz?

Na teoria, sempre fácil. Mas é que dor emocional é coisa só nossa. Não tem merthiolate que dê jeito. No máximo, a gente arranja essas pessoas-curativo, que sempre parecem ser a solução de todos os problemas. Nada-como-um-amor-novo-para-superar-o-antigo, costumam dizer. E a gente esquece que band-aid arrancado da pele na pressa faz lembrar a dor do corte. Atrasa o processo de cicatrização. E não sara. Não passa. Cadê a cura?

Se a gente soubesse a fórmula de não se magoar por amor, talvez a gente também já tivesse inventado a vacina. E viveríamos assim: sem caras quebradas, mas também sem grandes paixões. Porque amor, no fim das contas, é processo de entrega. E se entregar é correr sempre o risco de cair no caminho. Quebrar. Chegar atrasado ao destinatário. Pior: correr o risco de ser devolvido ou trocado sem nenhuma consideração. 

Ou então correr o risco de receber, também, algo de bom em troca. Talvez, sei lá, um presente como um coração - pronto pra tudo.

Tudo isso pra te falar que: a maioria de nós, mortais, passa por isso. E tem choro, e tem grito, e desespero, e vontade de nunca-nunca-nunca-nunca-mais. Mas ainda há vida lá fora. Outras histórias. Outros porres. Outros amores. E dezenas de amigos. E gente que sabe, talvez só um pouco, o quanto dói por aí. E se ainda doer também por aqui, não tem problema: a gente sofre junto. Porque, como ouvi uma vez (em um contexto completamente diferente): na desgraça, a gente se abraça. 

E o mundo continua girando. 

Karine Rosa

0 comentários Postado por Paula Lopes
terça-feira, 23 de setembro de 2014

achado no tumblr

uma hora 
a campainha vai tocar
o telefone vai chamar
o jornal vai estar lá com a noticia estampada
eu deixei o recado na geladeira ontem pela manhã
eu vi o seu nome na lista dos aprovados
vai chover no domingo
o trem vai se atrasar
você vai partir e eu vou sumir
o abraço vai virar saudade
é tudo uma questão de tempo
com exceção da morte, baby
não há um “fim”,
apenas uma reta
com infinitos recomeços.
0 comentários Postado por Paula Lopes
sábado, 20 de setembro de 2014

Você

Você apareceu no momento errado. Eu estava ocupada demais com minha vida, correndo atrás dos meus sonhos, estudando 15 horas por dia, não saindo nos finais de semana, e estava frustrada ou cansada demais pra continuar naquele ritmo. Então, numa das poucas festas que eu fui, a gente se conheceu, e eu nem sei direito como aconteceu. De repente, as minhas aulas da noite, normalmente chatas, passaram a ser acompanhadas de mensagens suas. Nós conversávamos, e você me fazia enxergar tudo de um jeito simples, e me fazia rir, e me deixava leve. E quando nada disso funcionava e no final eu ainda continuava sendo essa eu tão chata e negativa, você ligava dizendo que estava na porta da minha casa, pra gente sair e eu melhorar (quando funcionava você também vinha, qualquer coisa era motivo pra gente se ver). Você me implicava, porque, segundo seu gosto questionável, eu ficava linda com as bochechas vermelhas de raiva. E eu gostava de sentir raiva de você, porque sabia como essa raiva passava: com você me abraçando e me dando aqueles beijinhos calmos, me fazendo carinho. E a gente ficou nessa fase boa por, o que me pareceu, uma eternidade. Eu perdi o foco, você, veja bem, você me fez querer desistir do meu futuro e dos meus sonhos, me fez pensar em como seria a minha vida se eu continuasse morando com minha família, continuasse no interior, porque eu estaria ao seu lado, e naquele momento aquilo me parecia suficiente. Quanto mais eu me aproximava de você, mais eu sabia que a gente tinha que acabar. E eu fiquei nessa dualidade, de querer ficar, e saber que eu também queria ir. Não sei quando a gente começou a dar errado. Não sei se a gente ta dando errado. Você não sabe o que quer, e de indecisa em qualquer lugar, já basta eu. Você não sabe o que quer, você não me pede pra ficar, e eu também não sei o que quero, e to quase indo embora. Nossos amigos me falam que você bebe e fica falando de mim, eu também bebo e fico falando de você, aliás nem preciso beber, "a gente" é meu assunto favorito. Você é tudo o que eu não podia querer num cara. Mas como não gostar de você? Eu nem sei te descrever, sempre fiquei muito ocupada tirando fotos com minhas próprias retinas, para que quando a gente terminasse, eu não me esquecesse de como nós parecíamos bonitos juntos, tirava essas fotos pra guardar em algum lugar na memória, aquele lugar de todas as melhores coisas que poderiam ter me acontecido, e "fica bem aí que essa luz comprida ficou tão bonita em você daqui" fez muito sentindo pra mim. Mas nós somos crianças lutando contra o que a gente sente e não assume, crianças que não sabem o que querem nem agora, quando mais o que vamos querer amanhã. Eu te escrevo porque sei que você odeia ler, e quando me disse isso eu pensei se valia a pena te levar a sério, mas logo em seguida você me disse que era de humanas e eu pulei do penhasco sem nem saber se você tava la em baixo pra me segurar. Em cada detalhezinho você me ganhava sem nem perceber, como na primeira vez que a gente terminou o que nem existia e depois voltou, mas antes de voltar eu te falei aquele monte de coisa, e você ficou sentado ouvindo porque sabia que tava errado, e roía as unhas e depois ficava falando mais palavrão que eu. Nossos beijos de reconciliação quase compensavam o tempo que a gente ficava afastado, e toda briga eu sabia que ia ter uma volta. Dessa vez eu não sei. Só agora to percebendo o quanto esse texto ficou confuso, mas não tem como seguir uma linha contínua de pensamentos quando se trata de nós dois. Você está em tudo, nas frases dos meus livros de poesia, em todas as minhas músicas favoritas e não tinha esse direito, você some e eu fico sozinha e tudo me lembra você. "Drunken monologues, confused because its not like im falling in love i just want you to do me no good and u look like u could", é isso, você poderia me fazer tão bem, mas você some, e bebe, e faz idiotice e depois volta pra mim, e agora fico só com as lembranças e essa vontade de que você tivesse se entregado por inteiro, mas você não quis, e de metades já vivo sozinha. Quando quiser aparecer, de verdade, a gente vê se eu ainda to aqui.
0 comentários Postado por Paula Lopes
sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Charles Bukowski

Jogue os dados.
Se você for tentar, vá até o fim.
senão, nem comece.
Se você for tentar, vá até o fim.
Isso pode ser perder namoradas,
esposas, parentes, empregos e
talvez sua cabeça.
vá até o fim.
isso pode ser não comer por 3 ou
4 dias.
pode ser congelar em um
banco de praça.
pode ser cadeia,
pode ser o ridículo,
chacota,
isolamento.
isolamento é a benção.
todo o resto é um teste na sua
resistência, de
quanto você realmente quer
fazer aquilo.
e você vai fazer
independente da rejeição
e das piores dificuldades
e será melhor do que
qualquer outra coisa
que vocês possa imaginar.
se você for tentar,
vá até o fim.
não existe outra coisa que vá te fazer sentir
isso.
você estará sozinho com os
deuses
e as noites se inflamarão em
chamas.
faça. faça. faça.
faça.
até o fim.
até o fim.
você guiará sua vida direto para
o riso perfeito,
a única briga boa que existe.
0 comentários Postado por Paula Lopes
domingo, 3 de agosto de 2014
Eu só precisava disso. Um motivo para que eu não me entregasse a você. Quanto mais pensava, mais queria. Não poderia conviver com a dúvida de como teria sido. Tinha certeza que seríamos incríveis. Invencíveis. Os melhores. Era amor antes mesmo que eu pudesse notar.
0 comentários Postado por Paula Lopes

O amor me envelheceu – sobre as marcas que o amor deixou

O reflexo no espelho do banheiro, invariavelmente, não é mais o mesmo. Vejo olheiras embaixo dos olhos fruto das inúmeras noites mal dormidas, pés de galinha que contam mais histórias do que os sertões de Guimarães e rugas escondidas aqui, ali, acolá, das vezes que as frustrações me pegaram desprevenida esboçando um sorriso que terminou flácido num vinco de adeus. Os cabelos antes volumosos e sedosos caíram-se aos montes, como restos de orvalho entristecidos com a chegada repentina do veraneio. Até o brilho no olhar é diferente, parece um destes vagalumes travessos que teve sua luz roubada em uma (ou várias) destas travessias sombrias que o coração da gente parece querer peregrinar. O fato é que hoje vejo muito pouco, daquele tanto que já existiu um dia. O amor que tanto me engrandece, me envelheceu.
De repente, a bagagem carregada com tamanho cuidado e esforço do lado de dentro ficou evidente do lado de fora também. As pessoas agora conseguem notar a imensidão do caminho que foi percorrido e a profundidade das cicatrizes que fizeram morada nesta essência ao longo dos anos. O corpo que atualmente desperta a retina do outro, conta uma história diferente daquele de outrora quando o amor era inocentemente tão somente amor, sem “mas”, “poréns”, “todavias” e “entretantos”. A reciprocidade se tornou levemente arredia perante as inúmeras possibilidades de amor e o semblante antes florido como um jardim de primavera estampa uma desconfiança singela, típica das crianças quando se arriscam a descobrir o primeiro passo.
A experiência ou maturidade trouxe consigo o preço minimalista do desapego. Não mais é preciso buscar esconderijo atrás de uma máscara de falso contentamento e permissividade uma vez que, o coração já castigado com doses nada homeopáticas de descaso entende que está tudo bem em mostrar quem se é de verdade. Aliás, aquela cicatriz nada atraente que muitas vezes é encoberta com camadas extras de base e sorrisos automáticos, pode ser uma dessas singelas delicadezas da alma da gente que engrandecem nossa vivência sob o olhar amoroso do outro. Quem tem um animal ferido dentro de casa sabe que a melhor forma de destituir um sofrimento é abraçar aquela dor e deixar que o tempo faça a sua mágica, até que o momento se esgote definitivamente. Passar por um turbilhão de relacionamentos, pessoas, sentimentos e ainda assim chegar emocionalmente inteira no próximo instante é mais do que sinônimo de coragem, é aquela cerejinha do bolo que te faz ser diferente de todo mundo que desistiu do amor no meio da travessia.
O amor que tanto me engrandece, me envelheceu. Mas, inacreditavelmente, me sinto mais plena do que nunca. O amor acumulou seus percalços em cada pequena fresta que o sentimento deixou aberta ao pedir passagem e o resultado deste preenchimento foi uma alma aprimorada e resiliente, que encontrou nos destroços, os pedaços de si que faltavam para completar o quebra-cabeça deste enigma chamado amadurecer. Porque o que nos torna bonitos, elegantes e desejados é justamente aquela metade avariada que a gente tenta esconder. Eu, me sinto cada dia mais linda. Espero que vocês também. Aquela ruguinha boba no canto esquerdo da boca se apruma toda num sorriso cada vez que meu coração consegue abrir as portas para amar novamente. A idade tem dessas ternuras que talvez a gente só consiga sentir com total exatidão quando chega lá. E olha que acaso (ou sorte), a minha ruguinha combina perfeitamente com as bolsas insones que ele carrega debaixo dos olhos. Bagagem boa é aquela que a gente carrega de mãos dadas. Que a gente continue se encontrando nestas marcas que o amor vai deixando pelo caminho, porque se do lado de fora a gente transparece vivência, do lado de dentro fica cada dia mais próximo da eterna juventude.

Danielle Daian
0 comentários Postado por Paula Lopes
O fim existe para fazer crescer o novo, o próximo dia, a próxima canção, o próximo abraço, mas existem coisas que simplesmente não se acabam, mesmo que queiramos. A finitude de certas coisas pode assustar, nos deixar vulneráveis, mas a infinitude de outras é capaz de chocar ainda mais – a memória é uma fábrica de infinito.
0 comentários Postado por Paula Lopes
segunda-feira, 14 de julho de 2014

divagando

eu conheço outros caras e me lembro porque continuo sentindo sua falta.
0 comentários Postado por Paula Lopes
segunda-feira, 30 de junho de 2014

Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece.
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Paulo Leminski
0 comentários Postado por Paula Lopes