domingo, 11 de maio de 2014

Todos nós já passamos por isso

Nunca parar de me encantar pelas pequenas coisas. Acreditar que ainda existe amor, e é ele quem muda o mundo.
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Sou dessas

De poesias manchadas no guardanapo que interrompem bate-papo de bar. De foto três por quatro morando na carteira. De choro. De olho no olho. De amor à primeira vista. De gostar de abraços largos. De não dá-los. De vontades que explodem e preenchem o caminho de volta para casa. De madrugadas. De planos abertos pelo retrovisor do carro. De baixar a cabeça e fugir para o balcão. Uma cerveja e dois copos! De dedos costurados dentro de uma sala de cinema escura. De nuca. De nunca mais vou beber. De flerte no meio de trombadas. De meias palavras. De tudo escrito. De tudo acabado desta vez. De voltar atrás. De olhar de longe. De fingir que não viu. De mentir que não fuça. De declarações duras. De tapas leves. Que dizem verdades. De acreditar em vou aparecer mais. De não rasgar fotos. De escrever pessoas em uma bexiga de gás e olhar para o céu enquanto elas se apagam de mim. De cair na mesma história. De novo. Do mesmo jeito. De não prevenir nenhum desgosto. De passar a borracha em um número de telefone. De esquecer que passou. De contar que passou. E esquecer também que contou. De ligações no dia seguinte. De ligações perdidas. De propósito. De alôs mais gagos que convites. Ao vivo. De desligar o telefone e deixar o silêncio dialogar. E de atacar as reticências às páginas brancas. De me conhecer só assim, já que sou dessas que gostam de.

Priscila Nicolielo
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terça-feira, 29 de abril de 2014

Por um mundo com menos “a gente se vê” e mais “abre a porta que cheguei”

Acontece que um belo dia, perdido entre o que foi e o que poderia ser, você acorda cúmplice de uma espera. A expectativa de um telefonema, uma carta, mensagem de texto, um adeus, qualquer coisa capaz de consumir definitivamente aquela angústia e colocar fim na tormenta que já se estende por semanas. E nada. Porque a espera é isso, um grande nada recheado de todas as caraminholas passíveis de viver no coração de alguém. Ainda assim, a sensação de preenchimento e plenitude desencadeada pelo apego domina toda e qualquer atitude racional pronta a desabrochar, e o suspiro vem fundo, mentindo no ápice do alívio, que está tudo bem em te esperar. Enquanto isso o mundo está lá fora te provando que nada pode ser melhor do que eu, nós e o que construímos até aqui, apesar de você insistir em me colocar no banquinho do depois. E eu como mocinha comportada que sou fico ali aguardando a hora de sair do castigo. Porque não existe punição maior para quem procura reciprocidade do que comprar o ingresso do parque e precisar enfrentar uma fila quilométrica para andar no brinquedo tão esperado apenas por breves segundos.
O fato é que quem gosta não espera e isso foi lição aprendida depois de muita lágrima derramada no cantinho escuro do quarto. O amor é um dos sentimentos mais urgentes do mundo. Exige, demanda, ele praticamente abraça a eternidade no espaço pontual daquela euforia. Porque ele quer e quer no exato momento que a adrenalina avisa para o corpo que tudo aquilo que ele sempre esperou se encontra ali, entre uma escolha e outra, apenas aguardando um sinal de entrada. O amor transborda presença. Nada de “eu quero passar o resto da vida com você, mas não agora”, nada de “eu gosto de você, porém não sei se devo assumir um relacionamento neste instante”, nada de “estou com saudades, mas infelizmente sem tempo para te encontrar essa semana”. Amor é coisa poderosa demais. Força de vontade também. Não existe trauma, frustração, dúvida, decepção no mundo capaz de lutar contra um sentimento quando existe reciprocidade. Da premissa mais conhecida: quem quer faz, quem não quer arruma uma desculpa. Simples assim.
Bem como diz aquele filme que eu adoro: “quando a gente descobre que quer passar o resto da vida com alguém, a gente deseja que o resto da vida comece logo”. A dura verdade é que enquanto você está aí atrás da porta, como uma criança a espera do brinquedo novo, ouvindo o barulho dos passos que sempre se aproximam, mas parecem nunca abrir a porta de fato, os pés do outro dançam pelo mundo afora. Enquanto você é refém de uma indecisão e marionete dos caprichos daquele alguém, o universo segue sua órbita e apenas seu coração permanece suspenso no banquinho ao lado da porta ansiando por uma brecha para a grande estreia naquele palco.
Então não, não vale a pena “esperar” por ninguém. Porque se você precisa provar a alguém seu valor para que uma decisão seja tomada, se você precisa literalmente parar sua vida esperando uma chance de finalmente sambar a dois. Se sua autoestima bem como suas vontades são negligenciadas durante o processo, e se o sentimento do outro é forte o bastante para sustentar uma espera, talvez este sentimento não seja verdadeiro o suficiente para fazer morada na sua vivência.
Ou você quer, ou não. Não existem meios termos, muito menos meias verdades. Bem como a gente secretamente deseja o lado da moeda no momento em que a joga para cima, no fundo, a gente sempre sabe o que quer, apenas demora um pouco mais para assimilar aquela escolha e suas possíveis consequências. Afinal de contas descer do muro e decidir por um dos lados da estrada invalida de certa forma inúmeras possibilidades de felicidade presentes no caminho deixado para trás. Propor uma espera nada mais é do que uma tentativa frustrada de se apegar a um plano B, caso todas as outras travessias deem errado. Além de cômodo é a máxima falta de respeito com a permissividade do outro. E se tem uma coisa que a gente não é obrigada nessa vida é a esperar pra ser feliz.
Aceitar o descompasso e seguir adiante. Amor não é barganha e definitivamente não sabe esperar. Não importa se o relacionamento é antigo ou se o sentimento está pedindo passagem nesse exato momento. Parar de ocupar o caminho com uma presença incompleta e deixar partir aquilo que não encontrou espaço na sua vivência. A vida é transitória demais para mirar o passar das horas através de um banquinho atrás da porta. Coragem para aceitar a única certeza inquestionável do amor: o livre arbítrio de ser, estar, permanecer. Que seja aqui e agora, enquanto existe vontade, não na imprevisibilidade do amanhã. Qualquer coisa diferente disso é migalha, perda de tempo e invariavelmente descaso com o sentimento mais importante do mundo: o amor próprio.

Danielle Daian
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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Porque continuamos

Ultimamente, tenho percebido o quão esmagadores podem ser os dias. Procuro sempre me deixar encantar pelas pequenas coisas, como o pôr do sol, ou uma música antiga que me vem à cabeça e me faz feliz, ou até sonhos que, mesmo inconscientemente, me fizeram bem. Mas, acho que a maior felicidade que uma pessoa pode ter na vida é o amor. Trabalhar/estudar a semana toda mas saber que sexta feira vai ser feliz ao lado de quem gosta; quando se sentir triste, ter para quem ligar, um porto seguro a quem você sempre vai poder recorrer; contar as coisas mais desinteressantes do mundo para alguém que realmente se interessa por aquilo (e se interessa principalmente por você). O amor move a esperança de dias melhores, mas, sozinho, não muda a vida de ninguém. É preciso que nós também queiramos tê-lo. Continuamos seguindo em frente para, um dia, ter/ser essa pessoa.

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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Exceção

Todos nós sabemos da efemeridade das relações.
Sábio é quem aceita esse fato,
E, apesar disso,
Ou por causa disso,
Consegue ser feliz.

"Nothing lasts forever"
E quem acredita nos clichês?
Achamos que somos importantes ao ponto de
Pensar que o que vivemos
É exceção.
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sábado, 5 de abril de 2014

Feliz por nada - trechos

Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.
A frustração sempre é gerada por expectativas que não se realizam.
Independência nada mais é do que ter poder de escolha. Conceder-se a liberdade de ir e vir, atendendo suas necessidades e vontade próprias, mas sem dispensar a magia de viver um grande amor. Independência não é sinônimo de solidão. É sinônimo de honestidade: estou onde quero, com quem quero, porque quero.
Considero fotografia uma arte, pela capacidade que tem de capturar a alma do fotografado e revelar a nós algo que nosso olho não consegue enxergar. (...) Mas me pergunto: se você não documentar suas experiências e emoções, elas deixam de existir? Você deixa de existir? (...) Certas ocasiões ainda me parecem suficientemente fortes para resistirem intactas na nossa lembrança, e apenas nela.
Das consequências de estar viva você não escapa. (...) Seja qual for o caminho que optarmos seguir, haverá altos e baixos. E isso é tudo. O jeito é curtir nossas escolhas e abandoná-las quando for preciso, mexer e remexer na nossa trajetória, alegrar-se e sofrer, acreditar e descrer, que lá adiante tudo se justificará, tudo dará certo. Algumas vidas até podem ser tristes, outras desperdiçadas, mas, num sentido mais absoluto, não existe vida errada.
Não deixei de ser eu. Apenas abri o leque, me permitindo ser um "eu" mais amplo. E sinto que é um caminho sem volta.
Li em algum lugar que só há uma regra de decoração que deve ser obedecida: para onde quer que se olhe, deve haver algo que nos faça feliz.
Felicidade é calma. (...) O efeito colateral de se estar vivo.

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terça-feira, 1 de abril de 2014

Sobre o que cabe no silêncio

No silêncio cabe tudo o que não foi dito, cabe a possibilidade do que poderia ter sido, cabe a alegria que é tão infinda ou a mágoa que, de tão grande, não lhe permite nenhuma reação a não ser calar-se. Um silêncio pode ser de aceitação, pode ser de preguiça de defender suas ideias, pode ser de medo da reação do outro ao saber o que você sente. Silêncio nem sempre é consentimento. Silêncio pode ser o sentimento pedindo atenção do jeito mais sublime: ficando quieto, esperando ser percebido mesmo quando não está gritando, mas continua ali dentro. Num mundo onde pode-se gritar as tristezas e alegrias - fulano está se sentindo (...) - devíamos nos ater aos silêncios.
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domingo, 23 de março de 2014

23 de março de 2013

Bom, exatamente nesse horário a um ano atrás eu estava com o Maurílio. Consigo me lembrar perfeitamente de como ele me deu as mãos e a gente ficou conversando pelo tempo que, para mim, foi infinito. Um ano e tudo que aconteceu (ou não). Um ano e tudo que mudou (ou poderia ter mudado). Um ano cheio de alegrias tão intensas e tristezas que pareciam sem fim. Um ano que, definitivamente, entrou pra minha história. Me encanta a capacidade das relações humanas. Tanto as físicas, como as sentimentais. A gente sempre acha que pode resolver alguma situação depois, ou estar junto da pessoa de novo, ou deixar o orgulho de lado e falar o que sente (mais tarde, agora não). Acontece que, nem sempre você vai ter a pessoa ao seu lado depois. Digo isso com experiência própria que eu não desejo à ninguém. Nesse um ano, senti uma saudade que eu nem sabia que existia e era cabível de ser sentida por alguém. Senti muita felicidade, conheci o amor em suas tantas formas, me decepcionei, chorei mais que nunca, mas cheguei a uma conclusão: a vida continua. Seja quando estivermos deitados em posição fetal não acreditando no quanto o mundo é injusto, seja quando não acreditarmos que exista sensação tão boa quanto satisfazer nossos desejos, seja quando o amor aparecer do jeito que menos esperamos: a vida continua e é tudo fase. Daqui a pouco tudo muda. Então, que eu me permita chorar por esse nove meses que você se foi,  por esse um ano que nós estivemos mais unidos que nunca, por esses 7 anos de amizade e convivência, e de onde você estiver saiba que eu te amo. Como irmão, como amigo, como o cafajeste que conseguiu fazer com que eu me apaixonasse por você apesar de tudo (ou por causa de tudo) e depois de tanto tempo ainda faz meu coração bater mais forte quando eu lembro do seu sorriso e do quão babaca você era. Te amo.
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terça-feira, 11 de março de 2014

Destinatário.

Baseada em um sonho que tive na última noite, estou te escrevendo isso. Saiba que quando receber essa carta, será um sinal de que você é a pessoa mais especial que eu já conheci (não é minha intenção desdenhar de um bem tão valioso para mim que é a palavra escrita, e mais ainda meus sentimentos, então, acredite). Bom, acho que quando a gente se conheceu foi por causa do meu descuido e às vezes deixei alguma coisa cair e você pegou; ou então foi por nosso gosto musical parecido (provavelmente você gosta de Pearl Jam ou Arctic Monkeys). Depois disso, a gente saiu algumas vezes e a cada encontro tínhamos mais certeza que estávamos no caminho certo e aquela sensação de "agora vai". Provavelmente nós não estamos juntos só por convenções sociais, pode ser que nem carro a gente tenha ainda e namore a pé, além, é claro, da distância (tenho um histórico até agora bem preenchido de atrações que moram a no mínimo 100 km away from me). Mas acima de distância, status ou medo, nosso amor é maior. E eu tive a certeza disso na vez em que você me apresentou pros seus amigos ou pra sua família e eu nunca senti até agora o que vou sentir nesse dia, te garanto. Nesse momento eu vou ter a certeza de que a gente se ama e está fazendo a coisa certa estando juntos. Quando você falar em voz alta pra pessoas que são importantes para você "essa é a minha namorada", me abraçar e me der um beijo na testa eu vou ter vontade de chorar. E de te abraçar forte e de te amar pra sempre naquele momento. Quando eu acordar pela primeira vez ao seu lado, eu vou correr no banheiro para escovar os dentes, lavar o rosto e pentear os cabelos porque nunca quero que você me veja mais feinha, e mesmo estando na mais pura simplicidade você vai me achar bonita e se lembrar porque me escolheu, e quando eu te assistir dizer isso com os olhinhos pequenos de sono e a cara toda amassada, eu vou te achar o homem mais sexy do mundo e ter a certeza de eu quero acordar todos os dias ao seu lado. A nossa primeira briga vai anteceder nosso melhor sexo. O medo de perder ao outro vai aumentar a paixão e a intimidade, e assim eu espero. Espero que você goste de arte, literatura, história e viaje o mundo todo junto comigo. Aliás, eu já realizei meus maiores sonhos de ser uma produtora de moda reconhecida, viajar pras semanas de moda e para lugares inesquecíveis, e me sentir feliz todos os dias? Se a resposta for não, tenho certeza que você é companheiro e vai me incentivar a ter mais sonhos e me apoiar na realização deles. Junto de mim, provavelmente igual você esta lendo essa carta agora. Espero que nosso amor seja imortal.
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

The Spetacular Now

A pressão sobre amadurecer, estudar, ter um emprego, ser alguém na vida etc fica cada vez mais e mais nítida, definitivamente todos nos cobram sobre ser adultos. E se nós quisermos apenas viver o momento e deixar as consequências pra depois? E se o amor e as relações forem a coisa mais importante de nossas vidas, nós vamos perde-los para simplesmente ser adultos e fazer o que os outros esperam de nós? Sei lá. Só que as vezes tenho a impressão de nós estamos nos perdendo nessa tentativa frustrada de sempre fazer o que esperam de nós. Pode ser que ter boas e inesquecíveis histórias pra contar seja mais importante do que ter um emprego que te paga mais e também te tira os prazeres da vida. Viver o agora não é sobre ser inconsequente, é sobre ser destemido e ter o coração aberto pro que der e vier.
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