segunda-feira, 30 de junho de 2014

Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece.
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Paulo Leminski
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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Crônica

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo cultivando este tipo de herança.
Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me num porto, num albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo.
Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada [Então fique comigo quando eu chorar,combinado?]. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade.(quem sabe no carnaval) rssr
Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai.
Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes. Me enlouqueça uma vez por mês. Goste de um esporte não muito banal. Me ensine a dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos, me faça massagem nas costas. Não fume ou fume (eu ainda prefiro que não), beba, chore...Me rapte!
E se nada disso funcionar, experimente simplesmente me amar!

Martha Medeiros
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Sobre sucesso e amizades

"Fazer sucesso requer coragem; e quem não tem essa coragem, inveja quem tem" com essa frase meu professor de português começou a aula dia desses. Anotei no cantinho do caderno e hoje quando li, me veio o impacto do quão isso faz sentido pra mim e para o que venho passando nesse ultimo ano. Próximo final de semana faz 1 ano desde que começou o ano em que aconteceram as piores coisas comigo e com quem gosto, o ano em que todas as minhas convicções vieram ao chão, o ano em que eu passei a entender melhor quais são os verdadeiros valores da vida. Nem amizades nem amores duram para sempre. Nada. E o ser humano tem uma necessidade de se encontrar em um grupo, de acreditar que sua própria felicidade está nas mãos ou na companhia de terceiros senão na dele mesmo, e esse é um dos piores erros que podemos cometer. Devíamos aprender desde cedo que nossa companhia é a única - única - coisa que sempre teremos. Amizades são relativas (festas, vida boa, no problems) e amores são efêmeros ("é essa ou aquela, a que me fizer mais feliz enquanto estiver me fazendo feliz"). E ainda assim esperamos não nos decepcionar com as pessoas. Mas acho, no fundo, que fomos feitos para magoar e ser magoados, e feliz é quem sabe superar cada um desses obstáculos com serenidade e calma, e crê pacientemente pelos melhores dias que estão por vir. Se almejamos a vida inteira algo, não devemos deixar de ir atrás desse sonho por alguém que está na sua vida apenas naquele momento, e no fundo as pessoas têm inveja de qualquer coisinha. Todos nós somos assim. Por isso, ir atrás dos nossos sonhos, contar as verdadeiras vitórias para o mínimo de pessoas possíveis ou até mesmo para ninguém (tem coisas que são nossas e ninguém precisa saber) e aproveitar a presença de algumas pessoas enquanto elas ainda estão ali, porque cada vez mais, você estará pra frente na vida.
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