terça-feira, 27 de novembro de 2012

Mais uma carta de agradecimento

Sabe, nem sei como começar a te agradecer por todas as coisas que aprendi nesse tempo em que estivemos juntos. Obrigada por me ensinar a sorrir com vontade e a viver com alegria. Acho que sem você eu jamais descobriria que meus sorrisos não passavam de meios sorrisos, e que minha alegria não tinha sequer um motivo. Obrigada por se tornar minha inspiração nos momentos em que nada parecia fazer sentido, pensar em você me faz imaginar histórias, imaginar histórias me faz escrever. Obrigada por me fazer rir de coisas bobas e por me ensinar que a companhia vale muito mais do que qualquer coisa. Com você sei que posso me divertir em qualquer lugar, a qualquer momento. Obrigada por ser igual a mim, daqueles malucos que falam e cantam sozinhos. Agora cantamos juntos. Obrigada por me fazer dormir quando os pesadelos e preocupações insistiam em tomar conta. Obrigada pelo seu cheirinho que fica no meu travesseiro toda vez que você vai embora. Obrigada pelo carinho e amor que você consegue transmitir em um olhar. Obrigada por me entender todas as vezes em que estive errada e por nunca desistir de mim. Obrigada por ter aparecido na minha vida de forma tão abrupta e por ter permanecido de forma tão permanente. Obrigada por ter me mostrado o que é paixão, aparecendo assim na minha vida, quando eu estava desacreditada de tudo. Obrigada por me lembrar que eu tenho um coração, e bem, hoje ele bate por você. Obrigada por todas as vezes em que você acreditou que eu seria capaz e que disse que eu conseguiria. Eu realmente consegui. Obrigada por todas as vezes em que me aguentou de TPM. Sei que não deve ter sido fácil. Obrigada pelo carinho que você tem com a minha família. Ver as pessoas que mais amo no mundo juntas é uma das coisas que mais me dá alegria. Obrigada por todas as madrugadas em que você me fez companhia. Ter insônia sozinho é ruim, mas ter insônia a dois é demais. Obrigada por todas suas dancinhas, suas bobeiras, por ter me ensinado a gostar de Batman, por ter me feito gostar de Seal, por me ensinar a ser um pouco menos inocente, por ser fofoqueiro junto comigo, pela confiança que você tem em mim, por me levar na aula em dias chuvosos, por me apoiar no meu trabalho, por ser meu melhor amigo, meu melhor namorado. Obrigada por assistir meus seriados comigo mesmo sabendo que você vai odiar, obrigada por me aguentar  falando na sua cabeça 24 horas por dia, obrigada por tratar bem minhas amigas, obrigada por cuidar de mim quando fico doente, obrigada pelo sorriso que você dá ao me ver. Obrigada pelo seu sotaque de carioquinha, por zoar meu sotaque de mineira, pelos cafunés, pela fungadinha de cachorro que dá no meu ouvido, por me fazer cosquinha mesmo sabendo que eu odeio, por entender meu trauma com escadas, por aceitar que eu coloque Katy Perry no seu carro e por ser quem você é.

Obrigada por me lembrar todos os dias o quanto você me ama. Às vezes é bom ter certeza que nossos sentimentos são correspondidos. Obrigada por ter aparecido na minha vida como quem não quer nada, ter bagunçado meus sentimentos e me feito a mulher mais feliz do mundo. Hoje, posso dizer que conheço o amor. E devo isso à você, Guilherme. Feliz 1 ano e 6 meses juntos. Te amo. Sempre e pra sempre. E ah, acima de tudo, obrigada por me mostrar que distância nenhuma é capaz de impedir um amor.

*Texto dedicado ao meu namorado, Guilherme, em comemoração ao nosso aniversário de 1 ano e 6 meses. Acreditem, o desapego um dia vira um grande amor.

Parabéns Isabela Freitas pelo seu melhor texto, e por expressar tudo que eu estou sentindo.
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domingo, 25 de novembro de 2012

A arte do desapego


Há um ditado que diz que o verdadeiro amor está na renúncia. Porque se nada nessa vida é permanente, não há lógica em esperarmos que os amores o sejam. Nosso lado romântico torce para isso afinal, ninguém começa uma relação já pensando em quando ela vai terminar. Ainda bem.Essa embriaguez que o início das paixões provoca na gente nos permite viver o hoje, em vez de focarmos num futuro que não nos pertence ainda. E quando entendemos que o que temos é somente o agora vivemos cada segundo intensamente, pois ele nunca mais vai se repetir.
Enquanto o agora for feliz, vale a pena. Mas no momento em que ele deixar de provocar felicidade, precisamos aprender algo que só a experiência nos ensina: deixar ir. Nunca é fácil. O cheiro do outro parece insistir em permanecer pela casa. Tem o livro que ele esqueceu na estante. A camiseta da qual você se apossou. Aquela bolacha de aveia que ela adorava – e você não – e que hoje mofa na dispensa. Tem o relógio que bate 21h todos os dias – a hora em que vocês se falavam a noite. Tem o vazio na parede do porta-retratos que foi parar numa caixa escura. Tem o vício da companhia do café depois do almoço. Tem a paçoquinha que ele te trazia todo dia quando chegava em casa. Tem a cama de casal que agora parece vazia demais.
Dói. Pode parece bobagem, mas é extremamente difícil nos livrarmos desses pequenos fragmentos do passado que carregam com eles memórias – algumas boas, outras nem tanto, mas todas remetem a uma coisa que deixou de existir e que, portanto, deixou saudades. Mas somente desapegando conseguimos virar a página. Não dá pra levar as pastas e os arquivos do trabalho antigo pra o trabalho novo. Para que coisas novas possam chegar, é preciso deixar ir. 
E quando o novo chega, você finalmente entende a importância desse processo. Você percebe que o vazio que pareceu ficar com o desprendimento foi logo ocupado por algo que te trouxe felicidade. De repente as memórias que doíam tanto hoje não doem mais. A ferida fechou e fez surgir uma nova pele. E com ela, promessas de um futuro bom.
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Contra o amor

O início pode parecer um tropeço, já que ninguém são vai ser contra o amor, mas há os que, em lapsos de mornas temperaturas, opõem o amor e a paixão. E se o conflito é esse, o título é uma escolha de lados.
A paixão é sempre avassaladora, traz o nosso melhor, o nosso pior, e não deixa saber qual é qual. O amor é uma lareira quentinha que arde continuamente, estável, serena. E quem pode ser contra as lareiras quentinhas, senão os loucos? A paixão é como se toda a energia da lenha queimasse de uma vez, em um brilho que cega e tudo consome, como uma supernova. Depois, talvez só haja lenha em outras constelações, pode aparecer mais lenha, infinitamente, ou pode não sobrar nada jamais. Observe um apaixonado e você vai ver alguém que não está mais de posse das suas faculdades mentais, ou mesmo do mínimo de autocontrole.
Dizem que a paixão é tóxica, e ela é, mas e daí? Nós amamos as drogas. E somente a embriaguez da paixão é digna de arte. O amor, para ser arte, só se for difícil, como os do Calvino, não realizado, como os desprovidos de entrega, ou mesmo completamente impossíveis. Os amores possíveis começam a morrer no dia em que se concretizam, segundo um tal de Eça de Queiroz. Há controvérsias, só que, de fato, nada jamais chegará aos pés do amor que não acontece, este sim mais idealizado que a mais brutal das paixões.
As pessoas falam em histórias de amor e o assunto sempre esbarra em Romeu e Julieta. Até que eu li por aí: “Romeu e Julieta não é uma história de amor. É um romance relâmpago entre uma menina de 13 anos e um carinha de 17, que dura três dias e termina com seis mortos”. É a paixão que torna a história saborosa, assim como a vida. História de amor, amor mesmo, são os primeiros cinco minutos de “UP – Altas aventuras”. É lindo de chorar, mas é isso, cinco minutos de filme. O resto são cachorros falantes no fim do mundo, e nostalgia.
Alguém disse que viu mais amizades que paixões se transformarem em amor. Será? O universo da amizade é muito maior, por ser plural, e existem mais amizades que paixões. Mesmo assim, senão uma fração daquelas se transforma em amor. As que se arriscam, em geral, sofrem de unilateralidade e exílio na “zona da amizade” mesmo.
Esperar que o amor venha da amizade, sem uma paixão devastadora junto, é uma das coisas mais mornas e acomodadas que já ouvi falar. É como uma apólice de seguros. É o amor servido como uma dobrada fria. Você ir fazendo um “filtro de compatibilidade” do seu círculo de amigos, que já são pessoas por quem você tem apreço, até que isso se torne, suavemente, uma opção amorosa, equivale a tratos do tipo “se eu e você chegarmos solteiros aos 40, a gente casa um com o outro, tá?”
Apaixonar-se é dar murro em ponta de faca mesmo. A paixão não cega as pessoas para os defeitos dos outros. Como poderia? O que ela faz é aumentar a nossa capacidade de relevar, de não dar a mínima, de nem ligar que ela tenha essas esquisitices, e não de achar que defeitos não existem e, então, se desapontar quando caem as máscaras, ou quando passa o afã.
Pela sua força explosiva, a paixão é efêmera mesmo. Ninguém consegue se manter nesse estado, nessa intensidade por décadas, anos, ou seriam dias? Difícil achar uma medida de tempo, mas nem o amor consegue essa longevidade toda. Um amor que nasça de uma paixão, de uma conexão profunda formada no coração em chamas de uma estrela, é mais bonito e vivo que um amor sereno, gradativo e limpo.
Orson Welles disse que “se você quer um final feliz, isso depende, é claro, de onde você para a história.”
Pensando bem, paixão é sofrimento e um amor tranquilo é um bálsamo para a alma. O amor é seguro, confia na sua estabilidade. A paixão é onde a gente tropeça, se envergonha, faz papel de bobo e, muitas vezes, acaba sendo a causa do seu próprio ocaso.
A paixão teme o seu próprio fim e por isso se agarra à vida. Mesmo explosiva, a paixão permite que se faça amor de forma lenta, sentida, transpirando o desejo de que aquele momento não acabe nunca, nunca, nunca, que aquele enlace jamais termine. Mas tudo termina, não?
A vida é muito curta. É instável. Pode acabar de surpresa. A paixão é mais parecida com a vida que o amor.
Um universo que força você a escolher entre paixão e amor é um filho da puta, porque o melhor dos mundos é o encontro das duas coisas. Uma vida só de paixão, sem amor, é sofrida demais. Mas se insistem em tornar a paixão um veneno vil, oposta ao amor, então sou contra o amor.

Renato Kaufmann 

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Sobre o tempo do amor

"Quero deixar claro que eu acredito (e muito) no amor. Acho, mesmo, que existem amores que duram uma vida inteirinha. Ou o tempo que precisam durar. Porque certas coisas não são eternas, não. Mas duram o tempo certo. Só porque terminou não quer dizer que deu errado. As pessoas têm a mania de achar que se acabou é porque tudo foi perdido. Discordo. Qualquer relacionamento, bom ou ruim, traz experiência e maturidade emocional. Só que os romances duram o tempo que precisam."

Clarissa Corrêa
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O impulso em prol da mudança

Este primeiro arcano representa a síntese de seu momento afetivo. Uma carta que serve como prévia dos principais aspectos que cercam a questão. Descubra nesta posição o potencial básico do que perguntou.
O Pagem de Paus como significante central de sua questão afetiva sugere seu grande desejo de mudança, Paula, todavia se trata de um desejo sem muita praticidade, como se você ficasse esperando que as coisas acontecessem, ao invés de tomar atitudes objetivas. De todo modo, trata-se de uma percepção de que as coisas não podem continuar como estão e que demandam transformações. É como se você paulatinamente tomasse consciência dos pontos que precisam ser modificados e começasse – lentamente, vale dizer – a se mover na direção devida. Você provavelmente está sentindo uma grande inquietação ou até mesmo uma sensação de insatisfação, mas talvez estes sentimentos ainda não sejam suficientemente fortes para lhe levar a atitudes resolutivas. Tudo tem seu tempo certo.

Meu tarot me dando o melhor conselho e me ajudando nesse momento de decisões que podem ter muitas consequências..
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Promessas matrimoniais


Em maio de 98, escrevi um texto em que afirmava que achava bonito o ritual do casamento a igreja, com seus vestidos brancos e tapetes vermelhos, mas que a única coisa que me desagradava era o sermão do padre. “Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?” Acho simplista e um pouco fora da realidade. Dou aqui novas sugestões de sermões:
- Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?
- Promete saber ser amiga(o) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?
- Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?
- Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?
- Promete se deixar conhecer?
- Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?
- Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?
- Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?
- Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?
- Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?
Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher: declaro-os maduros.
Sobre a autora: Martha Medeiros (Porto Alegre, 20 de agosto de 1961) é uma jornalista e escritora brasileira. Filha de José Bernardo Barreto de Medeiros e Isabel Mattos de Medeiros, é colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro.
Casou-se com o publicitário Luiz Telmo de Oliveira Ramos e tem duas filhas. Estudou no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, tradicional de Porto Alegre, localizado nos arredores do bairro Moinhos de Vento. Formou-se em 1982 na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre.
Trabalhou em propaganda e publicidade, mas logo se sentiu frustrada com a carreira. Quando seu marido recebeu uma proposta de trabalho no Chile, decidiu que uma mudança de país seria uma ótima oportunidade para dar um tempo na profissão. Esta estada de nove meses no Chile, na qual passou escrevendo poesia, acabou sendo um divisor de águas na sua vida. Quando voltou para Porto Alegre, começou a escrever crônicas para jornal e, a partir daí, sua carreira literária deslanchou.
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O primeiro mês (com você)


Sou do tipo de garota que vive falando de amor. Como dizem, ro-mân-ti-ca. Escrevo sobre esse tal sentimento louco pelo menos uma vez por dia. Mas nem sempre tudo é tão lindo e concreto como parece na maioria dos meus textos. Confesso que nos últimos meses andei desacreditando das minhas próprias teorias. Voltei atrás e segui em frente tantas vezes que até perdi a conta. Minhas amigas nem devem mais me levar a sério. Meus desabafos eram tão contraditórios que em alguns momentos, até eu duvidei de mim mesma. Aquela maldita sensação de fragilidade me tornou tão vulnerável e indecisa nos primeiros meses. Bastava meia dúzia de palavras ou sei lá, um filme desses de comédia romântica com final feliz, e lá estava eu olhando pela janela e desejando que Deus colocasse alguém na minha vida. Alguém que eu pudesse confiar de verdade, apesar da minha mãe dizer que só podemos sentir isso por membros da família.
Eu não queria mais um cara perfeito. Aliás, minha experiência com caras assim foi totalmente frustrante. Dos que conheci, ou eram gays ou eram ocos. Nada contra garotos assim, mas é que meu coração além de besta é exigente. Não queria ter que passar por essa fase de amores platônicos aos 18 anos. Dos problemas da minha nova vida, já me bastam os que aparecem a cada minuto na caixa de entrada do Gmail.
Meu sonho de consumo era alguém que se importasse de verdade. Simples assim. Depois de tanto embarcar e desembarcar por aí, conhecer e conversar com pessoas completamente diferentes, percebi que meu amor não dá a mínima para estereótipos e opiniões alheias. O cara que me ganhou, aos pouquinhos, é um garoto mais novo que veio por coincidência, do mesmo lugar que eu: da terra dos que sonham alto e bem cedo. É você.
Demoramos alguns meses para compreender. Duvidei dos meus sentimentos e fiz promessas que foram quebradas com um simples apertar de botão do teclado. Virei madrugadas e bati meu próprio recorde em duração de chamada telefônica. Disse aquelas palavras e logo depois da sua atitude infantil, deixei o tempo me guiar e até me escondi no passado. Perdi (ou será que joguei fora?) o mapa e andei em círculos até perceber que não tem como driblar o destino.
Nos últimos meses as coisas mudaram. Você mudou. Sinto orgulho por fazer parte disso, e como você mesmo já disse, ser uma das grandes causas. Acredito que lá na frente, juntos ou separados, vamos nos lembrar com muito carinho dessa época. Quando desconhecíamos essa cidade cinza. Quando nos conhecemos de verdade. Com defeitos, manias e lembranças. Como amigos, como namorados, como amantes. Eu tenho mil motivos para te achar o cara mais idiota do mundo (quando você está com sono ou no meio de desconhecidos ainda mais que isso), mas cada vez que te vejo, sinto que sua presença se torna fundamental para um dia realmente feliz e inesquecível.
É isso. Obrigada por tudo que você tem me ensinado. Sobre a vida, sobre internet, sobre o amor. Obrigada também por me deixar te ensinar tanta coisa. Meus sonhos e certezas, quando compartilhados com você, se tornaram ainda mais reais. Feliz um mês de namoro.


Bruna Vieira, e como eu vou estar daqui a algum tempo =)
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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Ogrodoce


Você voltou rápido do banheiro. Eu só fui cuspir o chiclete. Por que não cuspiu nessa catarreira aí do lado? Porque isso é um troço de botar velas. Eu tomei uma garrafa inteira de vinho, acho melhor ir pra casa. Acho que você deveria ficar. Acho que se eu ficar, vou querer ver seus peitos. Agora não rola, tem criança aqui.
Olha bem: é uma anã. Eu não gosto da minha bunda. Sua bunda é bonita, você é toda bonita, bonita normal, mas seus peitos são internacionais. Eu gostei da sua calça molinha, dá pra sentir exatamente como é o seu pau. Você não quer sentir ele na boca? Quero, assim que as crianças forem embora. Olha bem: é uma anã. Não é. Mas ela tá fumando. Meu Deus, é mesmo uma anã. Então chupa meu pau? Espera, vamos pra minha casa? Você vai me levar pra sua casa? Só se você prometer que não vai me matar. Eu prometo, até porque tô sem tempo hoje. Se você fizer assim eu não vou conseguir dirigir. Dirige assim, quero ver. Não posso bater o carro, eu vou vender o carro na quarta. Tá perto? Eu tô com muito tesão. Eu também. Mas eu tomo um remédio que mexe com a minha libido, tô achando estranho tanto tesão. Eu não tomo nada mas deveria porque eu não durmo. Dorme na minha casa. Você disse que odeia que durmam na sua casa. Mas eu gosto de você. Eu gostei do seu cheiro. Do meu cheiro ou do perfume? Não sei. Eu gostei de você porque você é meio ogro, meio doce, você é ogrodoce. Você está tão sensual agora. Só agora? Só. Mas estamos juntos desde as seis da tarde e só fiquei sensual agora? Só. Mas eu te fiz rir das seis da tarde até agora. Macaco de circo não é sensual, é divertido, é legal, mas não é sensual. Eu sempre achei que ser engraçada era meu ponto forte. Não é. (________). Você ficou mal com o que eu falei? Muito. Por quê? Porque sem fazer piada eu não sei fazer mais nada. Então chupa meu pau. Tenho nojo sem estar apaixonada. Então se apaixona. Tá. Chegamos? Sim. Legal aqui, pequeno mas legal. E se eu falar o mesmo de você? Vai voltar a fazer piada? Eu não consigo parar. Para só um pouco, só um pouco. Vou tentar. Se desarma, vai. Vou tentar. Posso ver agora? Pode. Posso tirar a calça? Pode. Então tira a bota antes, botas são complicadas. Tiro. Você só me obedece? Só. Ah não, você tá fazendo graça! Tô. Não faz graça, se entrega, fazer graça é sua defesa, não se defende, eu tô bêbado, eu não tô me defendendo. Pra você é fácil. Por quê? Porque você é homem. Homem morre de medo de mulher como você. Como sou eu? O tempo todo analisando profundidades, dando notas de desempenho para almas. Notas? É, você é a Bruna Surfistinha da profundidade. Eu quero chupar seu pau. Não, antes eu quero ver uma coisa. Pode ver. Você tá com frio? Não, eu tô tremendo porque gosto tanto de você.
Calma. Eu sei. Calma. Eu sei. Posso? Espera, deixa eu pegar a camisinha. Onde tem? Ali. Você é safada. Por que tenho camisinha perto da cama? Amanhã quando eu for embora seu porteiro vai rir e pensar "essa dona do 64 não perde tempo". Eu sou uma vadia porque vou transar com você e acabei de te conhecer? Não! É? Não. Então não. Chupa mais um pouco antes de eu colocar. (___________). Espera, devagar. Tá. Posso? Pode. Vira? Viro. Fica assim? Fico. O que foi? Doeu um pouco. Desculpa. Não. Não desculpa? Desculpo, mas não, não para. Eu posso gozar? Pode. E você? Eu vou bem, obrigada. Não faz piada agora, peloamor, eu tô quase gozando e você continua armada. Desculpa, mas me sinto sexy sendo engracada. Você é muito sexy sendo engraçada. Você disse que não. Eu menti. Adoro essa música. O que é isso? Animal Collective. Não curto essas coisas estranhas, meio eletrônicas, meio sei lá. Você tem o melhor beijo do ano, o melhor sexo oral do ano, a mão quente, a boca quente, é tudo tão gostoso. Sério que você não vai falar do meu pau? Seu pau é lindo. Eu nunca imaginei que seria tão bom. Por quê? Porque você é metidinha intelectual, nhãnhãnhã. Posso lamber sua tatuagem? Posso te enforcar um pouco? Eu dou defeito. Toda mulher dá defeito, mas você parece ser o tipo louca que dá defeito rápido. Eu já tô dando defeito. Eu vou gozar. Goza. !!!!!!!!!!!!, eu tô com vergonha. Por quê? Por causa do escândalo. Foi lindo, você parecia a Luisa Marilac falando "porra" e tomando uns bons drink na Eu-ro-pa. Eu pareço um traveco gozando? Desculpa, eu não consigo parar de fazer piada. Eu vou embora. Mais cinco, por favor? Trepadas? Não, minutos. Eu preciso ir. Por quê? Pra não ficar pra sempre. Fica pra sempre. Por quê? Porque aqui tem amor, dinheiro e tarja preta, você pode só descansar existindo, eu faço o resto todo. Tarja preta vicia. Dinheiro também. Você tá tirando onda de rica? Não, eu tô tirando onda de homem. Você é uma menininha. Perto de você eu consigo ser e você não sabe o prazer que isso me dá. Se sentir menina? Estar com um homem, eu só andei com moleques nos últimos anos. Eu sou velho? Você é bonito demais. Eu sou bonito porque você admira meu trabalho, eu não sou bonito tipo andando na rua. Você é bonito tipo andando na rua. Seus peitos são internacionais. Leva um e me deixa com o outro. Qual você quer me dar? O que tem o coração. Você vai pro Rio quando? Eu quero te ver de novo. Então, vai pro Rio. Eu tenho fobia do Rio. Eu também. Porque lá é tudo feliz mas eu me sinto sozinha.
Exatamente. Quero tanto te ver. Dá próxima vez você é que vai pagar o vinho. Mas foi você que bebeu. Não interessa. Fala "não interessa" de novo. Não interessa. Adoro sua voz. E o que mais? E sua mão quente e seu beijo calminho e intenso e seu jeito de lamber antes a calcinha pra ver se tava cheirando bem. Tava cheirando ótimo. Mas eu trabalhei o dia inteiro. Mas tava ótimo. Cheiro ou combina ou não combina. É. É. Chama um táxi. Não. Eu ficaria mais se não tivesse que arrumar as malas. Não arruma, fica pelado pra sempre, você é tão bonito pelado. Vou jogar isso fora antes que caia tudo na sua cama. Deixa cair, engravida minha solidão. Que bonito isso, você deveria ser escritora. Que cínico você, deveria ser ator. Eu ficaria mais. Eu não gosto nunca de nada e gostei tanto de você. É? Droga. O quê? Eu falando de gostar. E daí? E daí que vai acontecer tudo de novo. O quê? Vou sentir demais, falar demais, escrever demais, você vai embora. Agora eu vou embora. E depois? Depois não sei. Tá. Eu ficaria, sério, eu ficaria muito, muito, muito. Eu sei. Mas agora eu vou. Então tira o dedo dai. Não consigo. Então não tira. Eu queria foder o dia inteiro com você. Eu queria foder a vida inteira com você. Você é exagerada. É só como dá pra ser. Chupa meu pau? Pra sempre. 

Tati Bernardi, sendo perfeita, as always.
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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Recado aos desapaixonados


O amor vicia. Amar faz de nós completamente tolos e drogados capazes de fazer qualquer coisa por qualquer pessoa. Quando amamos alguém, automaticamente queremos essa pessoa mais perto de nós a cada minuto da nossa rotina. Queremos que ela nos entenda mais do que a nós mesmos, apesar disso nunca acontecer (talvez seja esse o motivo das ilustres DRs). E daí vem os famosos finais de semana no cinema, ligações na madrugada, mensagens de “bom dia” ou de “bons sonhos”, apelidos ridículos, e reclamações dos nossos amigos que não se conformam com tamanha falta de tempo. É, o amor faz isso, é tudo culpa dele.
Conheço pessoas que têm tanto medo dessa droga que é incapaz até de tentar usá-la. Se dizem “não-apaixonados” natos, mas acredito que isso tenha outro nome. Insegurança. Essa história de que não é o momento de se apaixonar é uma grande hipocrisia dita por quem sofre daquele mal. Daquele famoso mal que não nos deixa ficar pendurados na janela do 21º andar, ou que nos proíbe de fazer sexo sem camisinha. O medo. É, as consequências podem ser assustadoras. O medo nos faz enxergar as coisas diferentes. É como aquela última vez que tentou começar uma dieta na segunda-feira. Disse isso na sexta, mas teve uma outra visão quando chegou segunda. É assim também. Falar que não é do tipo que se apaixona é só mais uma forma de se defender dessa (terrível) droga. Falar que não é o momento, ou que está sem cabeça pra isso, só mostra o quanto de tempo você está perdendo, em vez de tentar ser feliz logo de uma vez. E isso não quer dizer que você não seja feliz solteiro. Só quer dizer que você pode ter alguém para compartilhar a sua felicidade e vivê-la com você.
O grande problema é que a maioria dos “não-apaixonados-inseguros” não querem mudar seus status para “em um relacionamento sério”. -A vida já é séria demais, e logo a nossa diversão dos finais de semana vai se tornar séria também? Ah, não. Confundem relacionamento com posse, e qualquer sentimento que deve ser levado a sério causa um leve desespero. Mas ainda há aqueles que gostam do desafio. Gostam do desafio de se envolver, de se jogar de cabeça quando o coração fala mais alto. É uma droga tão alucinante que até os “não-apaixonados-inseguros” um dia caem na real e veem que precisam dela.
O amor não é o tipo de droga que se escolhe, ele acontece. E o acontecer é muito mais incrível do que qualquer situação tão fortemente forjada. Viver esse acontecer faz parte do nosso crescimento. É também uma das coisas que formam a nossa personalidade. Tanto para nós, quanto para as pessoas ao nosso redor.
E quem insiste em dizer que ainda não é o momento, desculpe a ousadia, mas é porque provavelmente essa droga já está te afetando. Falta só coragem para usá-la.

Caroline Fernandes
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